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O VALOR PEDAGÓGICO DE UMA EXPLICAÇÃO

por Graciela Ranieri de Castro Ribeiro

 

Eu observava aquela mãe que seguia com os olhos sua criança bem novinha, brincando livre e confiante naquele jardim onde normalmente havia lagartas. Num dado momento, não podendo mais se conter, veio a advertência, num tom de voz acima do habitual:

– Filhinha, cuidado com as lagartas!

Imediatamente, a criança correu na direção da mãe, estampando na fisionomia um grande susto.

O episódio me fez recordar uma das diretrizes que a Pedagogia Logosófica apresenta a quem se dispõe a educar-se para, então, poder educar outro ser: um filho, um aluno... Refere-se à atenção que se deve dar às causas – muitas vezes em nós – das nossas atuações docentes e aos efeitos que elas produzem.
Por que a forma de atuar daquela mãe amedrontou a filha?

Numa análise ainda que superficial do fato, percebe-se que não foi oferecido à mente daquela criança nenhum elemento de defesa. Apenas houve o alerta para um perigo: a lagarta, que ela talvez pouco conhecesse. A sugestão do medo precipitou-se e sobrepôs-se ao gesto educativo que apontaria para um cuidado que esclareceria uma situação, que ensinaria uma defesa.

Deve-se sempre ter em conta que a mente da criança é muito sensível. Nela, as imagens que o adulto oferece fixam-se com extrema facilidade. No caso do quase-grito da mamãe, pode-se bem concluir qual estímulo e qual conteúdo foram recebidos pela criança, assim como quando se ameaça com a repreensão do pai, com imagens do castigo, do inferno.

Oferecer às crianças diretrizes e elementos para que as faculdades da inteligência funcionem em harmonia, sem agitação ou abalo, sem sugestões negativas, é uma tarefa desafiadora que se apresenta para os adultos. Tudo, principalmente as atuações docentes, deve contemplar o fato de que, na idade infantil, a inteligência está em pleno desenvolvimento: entendimento, razão, a faculdade de pensar...

Diante de qualquer oportunidade ou situação, seja num jardim, num supermercado ou numa reunião de família, não se pode negar à criança uma explicação; explicação bem dada, sem muitos rodeios. Os conhecimentos que a criança ouve e aprende vão formando sua razão, possibilitando-lhe pensar mais e melhor.

Uma das tantas formas de explicar é conversar com a criança sobre fatos semelhantes ao que ela esteja vivendo, ou que tenha vivido recentemente, utilizando elementos que facilitem seu entendimento. Outra forma é ajudá-la a estabelecer relações entre os acontecimentos, levando-a a perceber que o que se faz agora terá alguma conseqüência no futuro, mesmo que este futuro que ela consiga enxergar seja daí a uns poucos minutos.

Outra técnica muito eficaz é levar o delicado mecanismo mental da criança a movimentar-se, por meio da análise do que ela vive, e fazer isso com imagens claras e acessíveis, com estímulos sempre positivos.

As crianças gostam das explicações, diríamos mesmo que elas clamam por isso! Um docente atento aos maravilhosos resultados que ações simples como a descrita podem promover nas crianças descobre que a explicação atenua temores, defende contra excessos negativos da imaginação, ilumina inteligências, aquece e aproxima corações... Uma boa explicação, temperada com o amor da mamãe ou da professora, amplia o quadro da verdade que a criança já pode perceber e estimula nela a formosa aventura do querer saber – saber a verdade das coisas, das lagartas, das tantas belezas da vida... e também dos perigos ocultos entre as folhas de cada dia na vida de todos nós!

Tudo o que ofereçamos à criança deverá, pois, estar cercado de todo o cuidado e atenção.
A Pedagogia Logosófica recomenda que devemos apresentar a ela imagens construtivas, relacionadas ao bem.

A explicação, quando oportuna e adequada à faixa etária, propicia sempre elementos de alto valor para a mente. Seja criança ou jovem, a mente precisa das explicações para desenvolver-se, explicações que se transformam em matéria-prima para o trabalho mental, que habilitam o ser a chegar a conclusões e também a desenvolver o gosto pela lógica.
Inserir no trabalho educativo o uso das explicações, para que o educando pense e tenha elementos para ampliar seu entendimento, é fator fundamental na formação de um ser humano que saiba pensar e atuar bem na sociedade em que vive.
 

Graciela é pedagoga pela UFMG e professora da Educação Infantil do Colégio Logosófico em Belo Horizonte.

Para ler outros artigos como este e saber mais sobre a Pedagogia Logosófica, acesse: http://logosofia.org.br/artigos/publicacoes.aspx e http://www.colegiologosofico.com.br

 

 

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